Veja e a esquerda!

Texto de: Fernando Colhado (@futurosociologo) & Jean Carlos (@jean_comunista)

“Ao sujar suas botas nesse lodo, Lula se aproxima do que há de pior na política da América Latina. Trilha o caminho dos caudilhos e ombreia-se com tiranetes do porte de Hugo Chávez, o presidente venezuelano que, para não ver suas próprias contradições expostas, solapou jornais, emissoras de rádio e chegou a fechar o principal canal de TV da Venezuela, a RCTV”(Revista Veja).

Por qual motivo isso ocorreu? O motivo é simples, no caso da Venezuela, a imprensa atua de forma parcial e clara contrária ao presidente Hugo Chavez, não informando o que ele faz pelo país de forma positiva, apenas com a mesma linha de discurso em que fere o trabalho realizado, demonstrando o que há de mais negativo na mídia, a manipulação da informação! Ao contrário do que Lula e seu partido querem fazer crer, a liberdade de imprensa não constitui um fim em si mesmo nem visa a preservar a liberdade de expressão para jornalistas ou proprietários de empresas de comunicação.

A liberdade de imprensa vai além disso: é um meio para garantir a perpetuação das sociedades livres e democráticas

“Somente com as aquisições de quatro publicações “pedagógicas” e mais as assinaturas da Veja, o governo tucano de José Serra transferiu, dos cofres públicos para as contas do Grupo Civita, R$ 34.704.472,52 (34 milhões, 704 mil, 472 reais e 52 centavos). A maracutaia é tão descarada que o Ministério Público Estadual já acolheu representação do deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) e abriu o inquérito civil número 249 para apurar irregularidades no contrato firmado entre o governo paulista e a Editora Abril na compra de 220 mil assinaturas da revista Nova Escola. Esta “comprinha” representa quase 25% da tiragem total da revista Nova Escola e injetou R$ 3,7 milhões aos cofres do ‘barão da mídia’ Victor Civita. Mas este não é o único caso de privilégio ao Grupo Abril. O tucano Serra também apresentou proposta curricular que obriga a inclusão no ensino médio de aulas baseadas nas edições encalhadas do ‘Guia do Estudante’, outra publicação do grupo”.
(fonte: Conversa Afiada)

Será mesmo que a mídia não precisa de regulação? Após várias leituras da Revista veja, nota-se que há um certo tom de raiva no que diz respeito a tudo que é considerado de politica na visão de esquerda, e o que me preocupa é a forma como as informações são repassadas aos leitores, já que a realidade não é totalmente aberta, restando apenas a opinião dos jornalistas e não a informação real! A regulação deve ser feita, da forma na qual, a realidade seja demonstrada superior a interesses do grupo que a produz, assim a sociedade que leia as noticias, fique ciente do que realmente acontece! Até porque uma revista que tem como objetivo noticiar os “fatos” deve ser imparcial, nós como o próprio nome do blog sugere, não somos imparciais, nós escolhemos um lado e estamos aqui o defendendo de ataques e “fatos” criados para favorecer a direita, uma rede de informações distorcidas “endemoniam” todo e qualquer movimento popular, todo e qualquer governo de esquerda ou centro esquerda, e não só no Brasil como no mundo. Mas não precisamos ir muito longe pra ver a face de um dos principais atacados pela Veja, a revista claramente parte em auxilio a burguesia venezuelana ao atacar e “endemoniar” Chávez.

Nota-se como as informações são disfarçadas e distorcidas pela “imprensa livre” quando se vê trabalhadores acreditando que Cuba é um inferno e que Hugo Chávez é um ditador louco que massacra o povo. Essa tão aclamada imprensa livre, é livre para ser comprada por quem pagar mais e informar as coisas como bem entende e não como elas de fato são, essa é a revista imparcial e de caráter “informativo” que esta entre as mais vendidas no Brasil, será por isso que nosso povo é tão culto?? Pense nisso.

Crises do capitalismo

Texto de: Visão de Esquerda

 

  No ano de 1929, o presidente dos EUA, Herbert Hoover, passou por uma das piores crises vivdas no capitalismo, com a famosa “Grande Depressão”, ocasionada pela “quebra” da Bolsa de Valores de Nova Iorque. Podemos destacar os seguintes fatores como causadores desta crise, como os descritos abaixo: Superprodução agrícola: formou-se um excedente de produção agrícola nos EUA, principalmente de trigo, que não encontrava comprador, interna ou externamente. Diminuição do consumo: a indústria americana cresceu muito; porém, o poder aquisitivo da população não acompanhava esse crescimento. Aumentava o número de indústrias e diminuía o de compradores. Em pouco tempo, várias delas faliram. Livre Mercado: cada empresário fazia o que queria e ninguém se metia.Como efeitos da crise, alguns milionários, descobrindo que perderam tudo que tinham, suicidaram-se, aumentou também o número de mendigos no país, e o número de desempregados chegou a 30%.

 

  Devido a importância dos EUA como alavanca do sistema capitalista global, outros países também foram afetados como Inglaterra, Alemanha e Japão também com a “quebra” das bolsas de valores. Não se pode esquecer do que houve com o Brasil na época, que exportava sacas de café para os EUA, e devido a falta de capital para se comprar o café( principal produto de exportação naquela época), o presidente do Brasil Getulio Vargas, decidiu então queimar as sacas de café que eram excedentes e jogar no mar. Como solução para a crise da época, em 1933 o presidente dos EUA Roosevelt, elaborou um plano chamado New Deal.

 

  O Estado passou a vigiar o mercado, disciplinando os empresários, corrigindo os investimentos arriscados e fiscalizando as especulações nas bolsas de valores. Outra medida foi a criação de um programa de obras públicas. O governo americano criou empresas estatais e construiu estradas, praças, canais de irrigação, escolas, aeroportos, portos e habitações populares. Com isso, as fábricas voltaram a produzir e vender suas mercadorias. O desemprego também diminuiu. Além disso, o New Deal criou leis sociais que protegiam os trabalhadores e os desempregados. Este New Deal, também é conhecido como Welfare State (Estado de bem-estar), em que garante os investimentos sociais como descrito acima.

 

  Os efeitos econômicos da depressão de 30 só foram superados com o inicio da Segunda Guerra Mundial, quando o Estado tomou conta de fato sobre a economia ajudando a ampliar as exportações. A guerra foi então, uma saída natural para a crise do sistema capitalista. No começo da década de 1970(conhecida como crise do petróleo), as nações produtoras começaram a regular o escoamento da produção petrolífera por conta de sua natureza não renovável. Em 1973, o valor do barril mais que triplicou em um curto período de três meses. No final de 1973, os países árabes membros da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), aumentaram quatro vezes o preço do petróleo no espaço de três meses, numa altura em que estavam em guerra com Israel, e nacionalizaram as instalações ocidentais. Entre 1979 e 1980, ocorre uma nova crise petrolífera.

 

  Deu-se também um agravamento da inflação, e a Europa entra numa fase denominada de estagnação, isto é, uma combinação de uma recessão com o aumento da inflação. Como resultado desta situação registam-se inúmeras falências e a crise das indústrias tradicionais que haviam estado na base do arranque da Revolução Industrial, como a siderurgia, a metalurgia, os têxteis e derivados destas. Para agravar a crise, os trabalhadores imigrados, em luta pelos seus postos de trabalho, são vítimas da marginalização social e, em alguns países, são alvo de movimentos xenófobos, num período em que ressurgem as ideologias fascistas.

 

  Analisando mais de perto, já no início da década de 70 se faziam sentir os sinais desta crise à escala mundial: a produção industrial estava a diminuir, verificava-se um aumento generalizado dos preços dos produtos, as taxas de desemprego estavam a subir e algumas indústrias como a siderurgia, a construção naval, a indústria têxtil, a construção automóvel e o setor dos transportes aéreos ameaçavam falir. Com a crise petrolífera de 1973, encerrava-se o chamado “Milagre Econômico Brasileiro”, e o país entraria em colapso econômico, crise que se veio a agravar, só encerrando depois do fim da ditadura militar. Como solução para a crise que surgiu com o aumento dos barris de petróleo, foi instaurado no capitalismo o neoliberalismo, que contrariamente ao Welfare State, diminui o poder do Estado nas ações que envolvem as especulações disciplinando os empresários, tornando o mercado livre.

 

  Essas políticas estavam baseadas em um consenso neoliberal (Consenso de Waschington), cujo receituário implicava as seguintes exigências: as economias nacionais deveriam abrir-se ao mercado mundial e seus preços se adequar aos preços internacionais; dar prioridade à economia de exportação; implementar políticas monetárias e fiscais dirigidas para a redução da inflação e da dívida publica;aumentar a vigilância sobre a balança de pagamento; providenciar que os direitos de propriedade privada sejam claros e invioláveis; privatizar as empresas estatais;permitir o livre fluxo de recursos, de investimentos e de lucros; minimizar a regulação do Estado sobre a economia e reduzir o peso das políticas sociais sobre o orçamento do estado (SANTOS, 2002). Na crise atual, os países europeus e o FMI anunciaram, de forma preventiva, um pacote de ajuda de US$1 trilhão (750 bilhões de euros) para assegurar que haverá liquidez para os títulos dos países em crise.

 

  O pacote preventivo minimizou as chances de uma crise financeira na região, porque assegura a rolagem da totalidade dos títulos dos países mais expostos da região até o fim de 2012. Este pacote preventivo, apesar de não estar totalmente aprovado, acalmou os mercados e contribuiu para a redução dos temores de que poderia haver dificuldades no refinanciamento ou mesmo default de alguns países europeus, o que traria implicações negativas para bancos da região. A União Européia ordenou que todos os países da região, principalmente aqueles mais expostos à crise (com maior déficit nas contas públicas), ajustassem suas contas públicas, reduzindo déficits de acordo com os padrões desejados nas regras da região. Isto implicou anúncios de medidas de cortes de gastos públicos e ajustes nos orçamentos de países com Grécia, Portugal e Espanha (entre outros), de forma a melhorar suas contas públicas.

 

  Estas medidas são complementares ao pacote de ajuda financeira, e servem para assegurar que os países com pior situação melhorarão sua condição financeira futura, reduzindo riscos de calote. Os anúncios de cortes nos gastos públicos de países da União Européia repercutiram negativamente na expectativa do mercado financeiro quanto à recuperação da economia da Europa nos próximos trimestres. Esta perspectiva negativa quanto à expansão menor ou negativa do PIB europeu também contribuiu para quedas nas bolsas européias nos últimos dias. Menores gastos públicos poderão inibir a atividade econômica nos países da Europa, fazendo com que o PIB da região cresça menos ou mesmo volte a apresentar queda nos próximos períodos. Conseqüência direta da crise na Europa, o Euro desvalorizou-se quase 10% em maio, ante o dólar, e perde quase 15% do seu valor em 2010. Um Euro fraco dificulta as exportações dos EUA, Japão e China para a Europa, prejudicando indiretamente a economia destes países – um efeito negativo pequeno, dado que o mercado interno (consumo ou investimentos) é o principal motor da economia destes países.

 

  Por outro lado, de forma positiva, países europeus exportadores, como Alemanha e Itália, se beneficiam da queda do Euro. A queda do Euro gera também impactos negativos nos preços das commodities mundiais, cotadas em dólar, contribuindo também para reduzir a demanda européia por produtos básicos, que se tornam mais caros. De fato, a única reação encontrada até o momento com os pacotes de austeridade que foram aceitos pelos países europeus em crise, foram manifestações como a Espanha, Grécia e mais recentemente encontrada na Inglaterra.

 

  Vemos assim, que a crise terá mais desdobramentos e sua solução não será encontrada em um curto período de tempo, teremos ainda muitas reações da sociedade que luta por direito sociais, obrigando os líderes mundiais a repensarem sobre uma solução que seja realmente democrática. Analisando friamente a crise atual, temos a sensação de que a teoria marxista sobre o capitalismo como seu próprio coveiro, está se confirmando. Ficamos com a seguinte pergunta: O que o mercado nos reserva como solução para a crise atual?

Governo do Rio de Janeiro: Transporte e o descaso com a população

Texto de: Visão de Esquerda

  

     Uma tragédia anunciada: Bonde descarrila e mata 5 pessoas, agora 6 que faleceu na data de hoje. Esse acidente que houve em Santa Tereza, é apenas mais uma de tantos que acontecem dentro do Estado do Rio de Janeiro. Só que infelizmente agora teve óbitos.

     Qualquer que seja o motivo apontado pela perícia, é certo que o Estado do Rio de Janeiro, na pessoa de seu Governador Sérgio Cabral e, principalmente, na pessoa do Secretário de Transportes Júlio Lopes, omite-se de forma vil e dolosa há anos, tratando o sistema de bondes de Santa Teresa com descaso.

     Mais do que o abandono de um bem tombado, que, quando convém, tem a imagem utilizada para ilustrar interesses politiqueiros de divulgação da cidade, estamos diante de uma situação criminosa, na medida em que pessoas morrem ou sofrem lesões corporais de natureza grave, que certamente poderiam ser evitadas se o Governador e o Secretário cumprissem a decisão judicial que, há mais de 2 (dois) anos ordenou a recuperação integral do sistema de bondes, com a devolução dos 14 bondes tradicionais em perfeitas condições de operação.

  Mas os bondes são apenas, mas uma de muitas do governo Sergio Cabral, pois a população sofre diariamente com o descaso também nos trens, barcas e metrôs, que a cada dia, não se sabe se chegarão no horário em suas residências ou casas ou até mesmo não se sabe se chegará com vida.

  Primeiramente sempre digo contra essa quantidade exagerada de carros nas ruas, mas eles são o reflexo do descaso de décadas para com o transporte na Cidade Maravilhosa. Foco no Rio porque faz parte do meu cotidiano, mas é nítido que São Paulo e muitas capitais brasileiras sofrem do mesmo mal. Alguém acha mesmo que o sujeito prefere ficar duas horas no engarrafamento se tivesse um metrô abrangente, pontual e de boa qualidade? Ou se pudesse usar um trem limpo, pontual onde não levasse chibatadas de seguranças?

   Nos trens, o governo deu uma concessão de 20 anos a uma empresa privada, mas nada mudou desde aquela época onde havia surfistas de trem. Maioria das frotas dos trens são antigos, e muitos quase não tem reparo nenhum há tempos.
   Lembro em 2009, com a greve dos rodoviários, começamos a perceber o descaso com a população, onde os trens estavam superlotados, pois com a greve, a frota de trens eram bem menor, mas lembro  dos seguranças agredindo os passageiros como fossem apenas um gado, uma gentinha.

   Quando parece que é tudo mais problemas aparecem, em 2011, nos trens começaram aparecer problemas em cima de problemas, onde os trens da linha como Japeri e Saracuruna, que na parte da manhã, é superlotado, começaram a aparecer panes e paravam dentro dos trilhos no caminho de uma estação para outra e com isso, a nossa população, que sofre, desce do trens e vai andando nos trilhos para chegar na estação.

  Sem falar dos problemas em trens velhos, tiveram o disparato mais com a população, quando teve o show do Paul McCartney, com trens extras diretos para o Engenhão, todos de 8 vagões, com ar condicionado e de 20 e 20 minutos, sendo, um serviço especial para quem não anda de trem.

   Agora vem a grande questão, se foi possível fazer um “esquema especial” para atender a população para um show que acontece uma vez na vida, por que não manter o “esquema especial” para atender diariamente a população?

    Isso demonstra que a solução existe, falta só a boa vontade.

  Adaptando a frase de Pero Vaz de Caminha: “Aqui é uma terra que, quando se quer, tudo é possível.”

  Apesar de atender muito mal o Povo do Rio de Janeiro, o governador Sérgio Cabral renovou o contrato de concessão da Supervia que, por curiosidade, é cliente do escritório de advocacia de sua ex-esposa, Srª. Drª. Adriana Ancelmo Cabral.

  Agora o governo anunciou a vinda de novos trens e que até o fim de 2012, eu acho, todos os trens serão com ar condicionado e os trens velhos, aquele que a população anda diariamente serão todos trocados. Agora é esperar e crer para ver.

  Rio de Janeiro. Copa em 2014, olimpíadas em 2016, novas obras para o transporte, mas apenas um bairro se beneficiará com isso. A Barra da Tijuca, mas será mesmo.

   Só quem anda de Metrô sabe. O governo está investindo em uma nova linha, onde liga de Ipanema até a Barra, com passagens na Gávea, por exemplo, mas enquanto o governo cria-se novas linhas, as outras passam com os mesmos problemas.

  Com metrôs superlotados, a população vive o seu dia-dia. Trens pequenos, sem ar condicionado e só aumentado o numero de passageiros, mas nada muda apenas a passagem.

  No Rio de Janeiro, o metro tem duas linhas, onde liga de Pavuna até Ipanema, em uma linha, vai de Ipanema até a Praça Seans Penã e outra ia de Estácio até Pavuna, mas devido aos problemas e o numero de pessoas, resolveram criaruma nova estação e ampliar a linha, onde ligaria de Pavuna até Botafogo, mas isso resolveu? Não.

  O problema do metrô é a lotação, onde eles não conseguem resolver, a cada dia, a população sofre, tem no seu dia-dia a dificuldade em entrar em um dos vagões do trem, e todo dia vai dentro dele sem poder se mover, podendo gerar muitos problemas de saúde para eles, mas o metro há anos, pelo menos vejo investimentos para resolver essa solução, pois mesmo criando novos horários, novas estações, não adianta se não aumentar os trens, as plataformas, talvez assim poderia ter uma solução.

  Mesmo com o descaso, a empresa que controla o metro, em toda sua história, nunca havia sofrido multa por esses descasos, sendo que levou a primeira multa esse ano, depois de mais ou menos 20 anos.

   Este problema é frequente também em São Paulo, que devido aos horários de pico, encontramos a superlotação, mesmo com o metrô funcionando em sua mais alta precisão, ainda não é suficiente em algumas estações como a Sé no sentido Itaquera! O que quero dizer é que, não importa a capital que seja descrita, todas elas possuem problemas referentes aos transportes! O que falta como já descrito no texto, é a vontade política de se resolver esta questão! Não podemos nos esquecer que, incrivelmente, mesmo com condições sub humanas de se utilizar o transporte público, no inicio do ano, tivemos aumentos referente a utilização do serviço, oq ue nos deixa aidan mais indignados com o que vivemos diariamente! O que nos resta é continuar a cobrar ações que tragam soluções permanentes aos cidadãos que passam suas manhãs e tardes em situações estressantes e cansativas, de pé em trens, metro eônibus, até mesmo preso em engarrafamentos! Merecemos respeito e lutaremos por ele!
    Todos os engenheiros de tráfego e especialistas em trânsito são unânimes: o metrô, para ser eficiente, tem de ter, no máximo, um intervalo de 2,30 minutos. O resultado deste hiato de mais de 5 minutos todo mundo conhece. Vagões cheios a qualquer hora do dia, independentemente dos horários de pico, momentos em que os vagões, aí, ficam abarrotados. E, ironicamente, o Metrô do Rio conseguiu piorar depois de privatizado. Nos anos 80, os intervalos eram abaixo de 2,30 minutos. Hoje, o intervalo mais que dobrou. Só que a população do Grande Rio e o número de usuários do sistema de transporte também dobrou.   Os trens, nem se fala. Quando o Engenhão foi idealizado ressaltaram sua praticidade pelo fato de a estação do Engenho de Dentro praticamente desembocar na porta do estádio. Pois bem, pegar o trem após uma partida com cerca de 20 mil presentes (que é menos da metade da capacidade do local) é uma aventura. Filas intermináveis, engarrafamento de gente nas passarelas e escadas de acesso à estação, confusão. Isso sem contar os vagões podres e abafados, os generosos e perigosos vãos entre a plataforma e o veículo e os enguiços freqüentes na linha férrea.

  E a autoridade pública o que faz se trata a pão de ló as concessionárias que os administram. Com todo o péssimo serviço e o achincalhe ao usuário, não se vê qualquer repressão por parte do Estado às concessionárias. Pelo contrário: as concessões do Metrô Rio, da SuperVia e das Barcas SA foram prorrogadas por mais de 25 anos cada. Para o governador, prefeito, deputados e vereadores tudo corre bem a bordo de seus confortáveis carros, helicópteros e jatinhos. Jamais devem ter pisado em um trem, metrô ou barca.

  Agora, se a população se revolta, logo uma figura da esfera pública se apressa em taxar as pessoas como vândalas. Esquecem do genial Bertolt Brecht: “Falam das águas violentas de um rio, mas se esquecem das margens que a oprimem.” E, assim, nos tornamos cariocas, brasileiros. Atrás do próximo bloco carnavalesco, com o samba atravessado em um vagão ou correndo atrás de um ônibus.

  Agora com o acidente do bondinho em Santa Tereza, vamos ver se agora a questão do transporte possa ser lembrada pelos nossos governantes, pois nesse acidente, vidas foram perdidas, por causa desse descaso, mas espero não ver daqui em diante, novos acidentes, com ou sem óbitos, em bondinhos, Trens, Metrôs e Barcas, pois a população merece respeito e não querem ser tratados como cachorros.

RELIGIÃO OU NEGÓCIO?

Texto de: Fernando Soares

No Brasil, a Constituição garante liberdade de religião. Ainda bem. Estados totalitários costumam proibir completamente instituições e práticas religiosas. Estados teocráticos oprimem todas as demais religiões, exceto a oficial.

Nosso País, sob este aspecto, se insere no rol das democracias onde, além da liberdade de culto, ficou estabelecido a separação entre a Igreja e o Estado. A história do Brasil passa distante de conflitos religiosos nos quais os interesses do Estado e da Igreja oficial se confundem, resultando em perseguições e mortes, tal como acontece atualmente em muitos países islâmicos.

O totalitarismo de esquerda, se apoiando numa tese de Marx, segundo a qual “a religião é o ópio do povo”, proibiu – como ainda acontece na Coréia do Norte e em Cuba – quaisquer manifestações religiosas, perseguindo e reprimindo com violência os recalcitrantes. O culto a Deus deu lugar ao culto ao Estado e os santos foram substituídos pelos heróis da pátria e líderes políticos. Por isso, a defesa intransigente da liberdade religiosa antes de tudo representa a defesa da própria democracia.

Isto não significa que as instituições religiosas devam permanecer isentas de críticas quando extrapolam o seu papel religioso e assumem contornos políticos, econômicos ou criminosos. É o que vem ocorrendo no Brasil com um grupo significativo de denominações religiosas, a maioria delas seitas evangélicas pentecostais, que se aproveitam da fé, da carência emocional e da ingenuidade das pessoas e passam a determinadas práticas, digamos, pouco cristãs.

Ancorados numa leitura talvez um tanto apressada de Martinho Lutero (1483-1546) e João Calvino (1509-1564), iniciadores do protestantismo, a partir da década de 1970 as seitas pentecostais cresceram e se multiplicaram numa velocidade espantosa, arrebanhando milhões de pessoas que não encontravam mais na religião católica a satisfação para as suas carências físicas, materiais e espirituais.

Em Martinho Lutero e na sua defesa da “livre interpretação de Bíblia” encontraram guarida para a multiplicação de seitas e denominações.

Em João Calvino e na sua tese de que “a riqueza material de cada indivíduo é a prova da benevolência de Deus”, encontraram a justificativa para a entronização do que hoje é chamada de “teologia da prosperidade”, sobre a qual se assenta a maioria das pregações dos pastores pentecostais.

O fato é que denominações religiosas como a Igreja Universal, Igreja Renascer em Cristo, Igreja Internacional da Graça de Deus e Igreja do Evangelho Quadrangular, muito além de instituições religiosas, se transformaram, em tempo recorde, em potências empresariais que em nada ficam a dever a muitas empresas de diversos ramos da produção, comércio e serviços.

Os seus líderes religiosos – Edir Macedo, Estevam e Sonia Hernandes, RR Soares e Mario de Oliveira – demonstram um senso incomum para fazer crescer e multiplicar os seus negócios, principalmente no campo da mídia eletrônica e impressa, e não se preocupam em esconder os evidentes sinais de riqueza pessoal.

A fonte primária de toda esta riqueza está, sem dúvida, nos cultos promovidos por estas seitas, nos quais não faltam muita emoção, falsos milagres e, sobretudo, farta arrecadação dos recursos destinados à “obra do Senhor”, que, pelo que se conclui, tem se manifestado muito mais no bolso dos pastores do que na vida de suas ovelhas fiéis. A ousadia e a desfaçatez com que agem estes pretensos líderes espirituais já é voz corrente.

Alguns deles já estiveram, ou ainda estão, sob a mira da Justiça, sob acusações que vão desde abuso do poder econômico, lavagem de dinheiro e transferência ilegal de recursos para o exterior, e ,pasmem, até mesmo tentativa de assassinato, como é o caso do deputado Mario de Oliveira, o líder da Igreja do Evangelho Quadrangular.

No Brasil, em nome da separação entre a Igreja e o Estado, as instituições religiosas estão isentas de pagamento de impostos. Talvez esteja aí a razão mais forte para o tão rápido crescimento destas instituições e o motivo para que cometam tantos desvios de suas funções originais. Escondendo-se sob o manto protetor e insuspeito da religião, desenvolvem uma série de atividades lucrativas, algumas legais e muitas ilegais.E ainda livres da carga representada pelos impostos .É muitíssimo mais fácil abrir uma Igreja do que uma empresa qualquer. Mas tocar neste vespeiro é perigoso e contraproducente. Por quê?

Primeiro porque qualquer tentativa de disciplinar as atividades destas igrejas esbarra no preconceito de que se trataria de cerceamento da liberdade religiosa. Se por um lado temos o conhecimento de que a maioria dos líderes e pastores é movida por uma convicção nada cristã, por outro sabemos que a maioria do rebanho é movida por uma autêntica fé.

Segundo porque estas instituições ultrapassaram as fronteiras puramente religiosas, e até empresariais, e penetraram com muita força também no campo político.

Os evangélicos se fazem cada vez mais atuantes no cenário político, financiando campanhas, lançando candidatos, elegendo governantes e parlamentares, e controlando partidos políticos. O rebanho religioso que eles, com habilidade, manipulam nos templos, transformou numa significativa clientela eleitoral..Qualquer interferência nas atividades destas seitas passaria a ser considerada, além de uma atitude de perseguição religiosa, também uma perseguição política.

Portanto, para se atuar sobre estas instituições e sobre estes líderes religiosos é preciso que se tome o cuidado de que fique bem demarcado os dois campos em que eles têm atuado : o puramente religioso e o dos negócios e da política. Assim como é importante que se defenda com todas as armas a preservação da completa liberdade de religião, também é fundamental que se denuncie os desvios, os abusos e os crimes que em proveito desta liberdade, são praticados por estas instituições e por membros delas.

Se milhões de pessoas que se autodenominam “crentes” por diversas razões se deixam manipular em suas crenças, carências e até em sua ganância, por espertalhões movidos pelos piores propósitos, o problema é delas. Se estes charlatões fogem da finalidade original a que se propuseram estas organizações, e passam a cometer ilegalidades e crimes no campo econômico, político e pessoal, isto passa a ser um problema de toda a sociedade. E, por isto, devem ser exemplarmente punidos. Sem dó nem piedade.

Revista Veja: Informação ou falso Jornalismo?

Texto de Joseclei Nunes (@josecleinunes) e Fernando Colhado (@futurosociologo)

Em 2006, quando estava trabalhando como representante de assinaturas para Editora Abril, lembro que uma vez estava com uma stand em uma faculdade e fui abordar um professor para vender a assinatura da revista veja. Até então eu era leigo em suas reportagens, mas como vendedor, recebia um exemplar toda semana da revista e lia, como uma pessoa que lê revistas, mas ao abordar esse professor, ele me respondeu para começar a analisar a revista e me mostrou em formas de imagens algumas copias de capa de alguns exemplares, onde ele tinha dado a aula falando sobre a revista e citando que a revista veja, desde 2003 (isso em 2006) ataca o governo Lula, com criticas, denuncias e etc…

Na semana seguinte, veio as eleições e Lula por pouco não ganha no primeiro turno, mas como a revista veja lança semanalmente todo sábado, e as eleições pelo país foram no domingo a capa da época era citando como seria o Brasil de Alckimin.

A partir dali comecei a analisar e desprezar cada vez mais essa revista, pois eu via que eles na verdade não faziam jornalismo de verdade e a todo custo tentavam acabar com o governo atual, a benefício da elite rica e dos partidos como DEM e PSDB.

Passa se 5 anos e venho analisar, cada semana as capas da revista veja e vendo capas pesadas contra o governo Lula, contra aqueles que tem ideologias de esquerda (até para o Chico Buarque sobrou) e claro, defendendo nomes já ultrapassados como Serra, Alckmim e agora com Aécio Neves, que foi até capa em 2010, dando seu apoio ao Serra no segundo turno. Agora, isso seria jornalismo de verdade ou bandidismo com atos inconstitucionais?

Chega 2011, após a posse da nova presidente, Dilma Roussef, a revista começar a se especializar em derrubar ministros. Até esta data que o artigo foi escrito, foram derrubados 4 ministros, inclusive o braço direito dela, o ministro Palocci. Mesmo sendo verdade ou não, como a revista consegue todos esses dados?Até que então surge uma notícia de ultima hora, que a revista invadiu um quarto de hotel para implantar câmeras escondidas, onde um repórter está sendo acusado de tentar convencer a camareira a deixá-lo entrar no quarto de José Dirceu, fingindo se passar por um colega do ex-ministro que estaria hospedado no mesmo apartamento. Essa denúncia partiu da camareira e do chefe de segurança do hotel, e foi registrada num boletim de ocorrência do 5º distrito policial de Brasília.

Para o deputado Emiliano José (PT/BA) afirma que o caso é extremamente grave e a sociedade brasileira deve reagir ao escândalo com a mesma indignação que os ingleses reagiram aos escândalos dos grampos do jornal News of the World, pertencente ao grupo do bilionário Rupert Murdoch, e que resultou na prisão dos responsáveis, além do fechamento do jornal, maculado de maneira irremediável pelo escândalo dos grampos que foram descobertos e atingiram desde políticos até vítimas de seqüestro. O chamado “Caso Murdoch” abalou a Inglaterra e trouxe à baila a discussão sobre os limites da imprensa na democracia.

Com isso a revista passa de jornalismo para bandidismo, onde a todo custo tenta vender reportagens contra o PT e seu governo, pois chegar ao ponto de convencer um funcionário de um hotel para todo custo buscar reportagens. É possível que alguns leitores concordem com os métodos empregados pela revista e fiquem tão maravilhados, mesmo Sabendo- que o passado da Veja, entretanto, e das causas que abraça, não chega a surpreender esse tipo de jornalismo praticado pela revista. São muitos os entrevistados de Veja que se queixam de que suas declarações foram deturpadas, pelo mesmo método usado na televisão: a edição. Nesse caso, do texto. É só pinçar uma frase e juntá-la a outra, dita em contexto diferente, e você terá uma informação deformada, mentirosa. Por isso, quando se trata de Veja, os entrevistados mais experientes exigem que tudo que foi dito seja gravado.

Segundo a reportagem do Observatório da imprensa:

  Analisando as imagens da Veja, percebe-se com facilidade se tratar de uma minicâmera para espionagem. Câmeras de segurança, por terem fonte de luz IV própria, não são instaladas próximas a anteparos de iluminação, pois o reflexo da luz branca atrapalha. As imagens divulgadas pela Veja identificam que a câmera usada para captá-las estava instalada junto ao anteparo de luz. Eles usam normalmente esse artifício para ocultar o equipamento, e ter uma fonte de luz e energia para ligar a câmera. 

 As provas que Veja produziu contra si mesma agravaram a sua situação. Agora, além de tentativa de invasão de domicílio e falsidade ideológica, existe a confissão de invasão de privacidade, não só de José Dirceu e os políticos mostrados, mas de todos os hóspedes desse andar e dos funcionários do hotel.

  Apesar da vergonhosa “operação abafa” (omertá tupiniquim) movida pelos principais veículos de comunicação, o que demonstra um corporativismo criminoso (se não for rabo preso por culpa no cartório), ainda restam aos atingidos, como o PT, acionar a Polícia Federal e o procurador geral da República por se tratar de um crime ainda mais grave quando atinge ministros de Estado e põe em risco o Estado democrático de direito. 

  Cada vez mais fica complicado para o lado da revista de veja, e cada vez mais em suas reportagens fica claro que a revista usa formas criminosas para suas reportagens, que alem de ser uma revista, onde sua maioria é tucana e democratas, mostra que a cada semana, usa interesses próprios e esquece da democracia, onde quem sai lesado com esses tipos de reportagens um tanto criminosa, são os assinantes, leitores que com sua falsas matérias, infringe a constituição e o direito de reportagem verdadeira a todos os cidadãos brasileiros.

“Agora, foi José Dirceu. Amanhã, quem mais? Qualquer cidadão está exposto a isso. A Revista Veja acha-se no direito de agir como se não tivesse que prestar contas a ninguém. Como se estivesse inteiramente acima da Constituição e das leis do País. São necessárias providências enérgicas para punir esse comportamento, punir esses procedimentos, garantir que o Estado de Direito não seja desrespeitado como o foi neste caso. Trata-se até de resgatar o bom jornalismo. De levar os fatos a sério. De fazer coberturas jornalísticas sem a necessidade de utilizar-se de meios criminosos.” Emiliano José.

O que esperar de um veículo de comunicação que age desta forma? Pois bem, em tudo que se trata de partidos de esquerda e de manifestações, fica evidente que a mídia de um modo geral, age da mesma forma, sempre expressa suas opiniões e forma negativa, ao ponto de, em alguns casos, criminalizar atos que em sua origem se reforça a luta por direitos sociais! Nota-se que este caso referente ao que foi feito ao José Dirceu, nos traz a seguinte questão: Quantas vezes isso não deve ter ocorrido, e quantas vezes mais isso pode ocorrer? O fato é que a credibilidade que a revista possui se torna cada vez mais ameaçada, perante a um jornalismo realizado de forma vil pelos repórteres deste veículo!

Joseclei Nunes é assistente administrativo e escreve artigos políticos e assuntos do carnaval carioca e participa do blog como o Jornal Delfos-Ce e Militância Política

O que é Estado laico?

Texto de: Ives Gandra Martins Filho

Têm surgido com cresente frequência na esfera judiciária questões de caráter administrativo ou judicial envolvendo as relações entre o espiritual e o temporal. Discutem-se a presença de símbolos religiosos em órgãos públicos, o funcionamento desses órgãos em dias santos ou a validade pública de argumentos de caráter religioso.

A questão do que seja Estado laico tem sido enfrentada por numerosos países, com diversas soluções. A França proibiu o uso das burcas, e a Suíça, a construção de minaretes; já na Itália, com a decisão da Corte Europeia de Direitos Humanos, não se considerou atentado à laicidade do Estado a presença de crucifixos em escolas públicas.

Visando a contribuir para aclarar conceitos e vencer preconceitos, o Conselho Nacional de Justiça promoveu recentemente o Seminário Internacional sobre o Estado Laico e a Liberdade Religiosa em Brasília, trazendo especialistas estrangeiros para discutir com juristas pátrios o tema. O que mais impressionou no encontro, marcado pelo pluralismo de posições, foi a constatação de que as convergências eram infinitamente maiores do que as divergências.

Com efeito, concordavam perfeitamente os palestrantes, prof. Daniel Sarmento, procurador regional da República, e pe. Rafael Moraes, doutor em Teologia Moral, em que o Estado deve ser laico, no sentido de neutro em relação à religião, por força dos princípios constitucionais da igualdade e da isonomia, e que os argumentos religiosos têm carta de cidadania apenas quando passíveis de serem traduzidos em razões públicas.

As razões públicas, explicou Kent Greenawalt, professor da Universidade de Columbia, são os argumentos acessíveis a todos os cidadãos, independentemente do seu credo. Não se baseiam em visões compreensivas ou premissas religiosas, e sim em razões de justiça política. Determinar com precisão o que é razão pública não é uma tarefa fácil, mas o seu marco teórico oferece critérios úteis para a atuação dos agentes públicos, especialmente os juízes, numa democracia liberal.

Massimo Introvigne, sociólogo italiano da religião, foi enfático, em sua conferência, ao defender uma liberdade religiosa plena, que o Estado deve respeitar, não apenas enquanto imparcialidade frente aos diferentes credos, mas no reconhecimento do direito de expressá-lo publicamente e angariar adeptos, através da argumentação e da coerência de vida, nunca pela força ou fraude.

Interessante notar que a nossa Constituição alberga três princípios básicos em matéria de relações entre Igreja e Estado, que são os de separação, cooperação mútua e liberdade religiosa (CF, arts. 5º, VI, e 19, I). No Seminário, procurou-se discutir as melhores formas de aplicar esses princípios. As divergências ficaram por conta das especificações decorrentes dos princípios, no que concerne a questões polêmicas tais como as das uniões homoafetivas, ensino religioso confessional nas escolas públicas e colocação de símbolos religiosos em órgãos públicos.

Já na conferência inaugural, o prof. Jorge Miranda, ilustre constitucionalista português, mostrou que o ponto de equilíbrio entre o Estado confessional e o laicismo agnóstico é justamente uma laicidade saudável, que preserva a autonomia do fenômeno político e ao mesmo tempo respeita o direito de as religiões defenderem e transmitirem os seus valores morais, que embasam a vida social e a dignidade da pessoa humana.

Pode-se dizer que o Seminário, com suas exposições e conclusões, a serem publicadas proximamente, marcou um novo e saudável paradigma nacional de relações entre Igreja, aqui considerados todos os credos, e Estado, reconhecendo ao fator religioso, quando expresso em argumentos de justiça política e não de mera autoridade, foro de cidadania no debate jurídico.

Estado laico e sociedade livre

Texto de: Nicolau da Rocha Cavalcanti

 

O Brasil vem apresentando uma maturidade institucional que surpreende até os mais otimistas. Obviamente, a Constituição de 1988 não resolveu todos os problemas brasileiros, muitos ainda graves; mas há de se reconhecer que os caminhos institucionais para o desenvolvimento social, cultural e econômico estão abertos. Não é mais necessária uma revolução; faz falta agora trabalharmos, continuarmos trabalhando.

Neste mês de junho, um passo a mais nesse processo civilizatório foi dado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que organizou um seminário internacional sobre o Estado laico, em Brasília. Esse evento pode ser o marco simbólico de um olhar mais republicano sobre o poder público, informado por dois critérios básicos: Estado laico e sociedade livre.

Por um lado, um Estado que de fato seja neutro, isento, isonômico. Não apenas formalmente, mas que na sua atuação não se baseie em determinadas pretensões de verdade em matéria religiosa (por exemplo, punir uma conduta em razão de uma religião classificá-la como pecado). O Estado deve se valer de critérios de justiça política, de razões públicas (generalizáveis para todos os cidadãos), e não de visões compreensivas (específicas para determinados grupos).

Viver essa neutralidade exige um contínuo aprendizado, especialmente dos homens públicos e dos líderes religiosos. Perceberem na prática que são âmbitos diversos, esferas com autonomias próprias. Esse profundo respeito pela pluralidade se manifesta no diálogo, na capacidade de ouvir o outro e também na completa separação entre os direitos do cidadão e a prática religiosa. A adesão a determinado credo religioso não pode acarretar nem privilégio, nem discriminação.

Por outro lado, deve-se encarar o caráter laico do Estado como meio para uma sociedade livre. A laicidade estatal não é um projeto de valores, para tornar a sociedade “laica”, para “protegê-la” das religiões. O Estado é – e deve ser cada dia mais – laico, mas a sociedade em si não é laica. Ela será o que os seus cidadãos quiserem ser.

O Estado laico é instrumento para criar um espaço de liberdade e de pluralismo, e não para impor valores considerados “laicos”. A laicidade é um meio, e não um fim. Essa afirmação não significa uma mitigação da neutralidade do Estado. É a proteção para que continue sendo laico. Caso contrário, o Estado ainda estaria atuando por visões compreensivas não generalizáveis.

O caráter laico do Estado não decorre de uma substituição de referenciais – antes, uma visão religiosa; agora, uma visão ateia ou agnóstica da vida -, mas de uma revisão do seu âmbito e das suas competências. O Estado laico não diz que as religiões são falsas, e sim que é incompetente para qualquer declaração nesse âmbito.

É um Estado com objetivos – em certo sentido – mais modestos. Ele não pretende ditar como os cidadãos se devem portar para ter uma vida feliz (assumiu esse papel durante muito tempo); agora, deseja “apenas” criar um ethos de paz e de liberdade. Cada um buscará a felicidade ao seu modo, com as suas escolhas, com a sua visão de mundo.

Alguém pode questionar: pouco realista essa teoria, não? Ela conseguirá resolver as divisões da sociedade brasileira, cada dia mais notórias, principalmente por causa da atividade social e política de grupos minoritários, antes invisíveis e que agora lutam não apenas por uma “não discriminação”, mas pelo pleno acolhimento da sua diversidade? Refiro-me aos homoafetivos, aos de religiões com matriz africana, etc. Será possível, de fato, uma convivência harmoniosa entre esses grupos e a “maioria” brasileira, de corte conservador?

Infelizmente, ainda não foi descoberta uma receita que garanta a convivência harmoniosa num cenário de multiculturalismo sistemático. Para a real existência de uma comunidade continua sendo necessário um vínculo comum, por menor que seja, entre os seus membros.

Não vejo, no entanto, a pluralidade brasileira como um obstáculo para esse núcleo comum, que pode e deve nascer de um profundo respeito pelo outro. De ambos os lados! Não se pode ver no outro apenas um “diferente” ou um “retrógrado”. Com essas visões parciais não há espaço para o diálogo, já que não se vê o outro como pessoa. Batalhemos por essa profunda compreensão mútua, a começar por nós mesmos, respeitando os nossos “diversos”.

Será essa uma atitude ingênua? Respondo com outra pergunta: por que as posturas imobilistas (ou pessimistas) são as mais adequadas para lidar com a realidade social? Parece-me que por trás desse pessimismo social há uma forte dose de arrogância e, por consequência, de irrazoabilidade: “Eu respeito os outros, mas eles não têm a mínima condição de me respeitar”. É exatamente o oposto: se eu consigo, imagine os outros! Fá-lo-ão com muito mais facilidade e elegância.

Um último ponto. Esse novo paradigma para as relações entre Estado e religiões não implica o fim das tensões entre os dois âmbitos. Sempre haverá conflitos. As religiões são fonte de valores para a sociedade e, inevitavelmente, há discordância entre os “fatos políticos” e os “critérios de valor”. Mas esse dualismo entre dados de fato e critérios, como defendeu Karl Popper, é extremamente saudável para uma sociedade. Permite o seu aperfeiçoamento, ao impedir que a vontade política num determinado momento adquira status de critério último de valor. Daí, por exemplo, a extrema relevância da decisão do Supremo Tribunal Federal de permitir as marchas a favor da maconha (mesmo que seja difícil – a meu ver – encontrar razões públicas que justifiquem a liberação do tóxico).

Este é o desafio. Um Estado laico no qual todo brasileiro possa sentir-se em casa, uma vez que é “em casa” que uma pessoa é mais livre – para pensar, falar e ser o que quiser.

ADVOGADO, É PRESIDENTE DO CENTRO DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA (CEU), ENTIDADE MANTENEDORA DO INSTITUTO INTERNACIONAL DE CIÊNCIAS SOCIAIS (IICS)